terça-feira, 11 de agosto de 2009

Sem terra e sem moral

Muitas vezes, vejo vários debates sobre reforma agrária e movimento dos sem-terra, sem-teto, e outras organizações que existem em prol de causas semelhantes em que as pessoas dão suas opiniões: com algumas eu concordo e com outras eu me revolto, principalmente ao saber que existem seres humanos de relativo nível cultural com idéias tão absurdas.

Mas não vim aqui simplesmente expor minha opinião, e sim falar de uma experiência que tive em 2005, quando o exército me mandou para uma missão numa zona rural na divisa dos municípios de Floresta – PE e Petrolândia – PE. Como sou sargento do exército especializado em topografia, fiquei incumbido de abrir as picadas e fazer o levantamento plani-altimétrico e estaqueamento dos eixos e faixas de domínio do canal de aproximação, além da Barragem de Areias, e também da área de inundação de seu reservatório, ambas as obras pertencentes ao Eixo Leste do Projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional.

De início, fomos orientados a nos alojar numa agrovila do Perímetro Irrigado Icó-Mandantes (8.805199°S 38.365728°W – Veja no Google maps ou earth) devido a sua proximidade com o local onde deveríamos fazer nossas medições. Isso foi muito interessante para mim por que pude me aproximar da população local, conhecer sua história como também a história das vilas daquele projeto.

A história das Agrovilas do Perímetro Irrigado Icó-Mandantes e outros projetos de Irrigação estão diretamente ligados à história da construção da Barragem Luiz Gonzaga, conhecida como Itaparica (9.143889°S 38.312741°W – Veja no Google maps ou earth), que se localiza no município de mesmo nome e de onde seu lago artificial se estende por longas áreas de vários municípios do Semi-árido nordestino. Pois bem, quando da construção da mesma, obviamente existiam várias propriedades rurais nas áreas que seriam inundadas. Essas propriedades muito provavelmente eram pouco produtivas ou completamente ociosas como é comum nessa parte do Brasil, com algumas exceções, é claro. Mas ainda assim, a pouca produção dessas terras deveriam ser o sustento de algumas famílias que por lá viviam e trabalhavam. Obviamente que se a CHESF iria inundar essas áreas, iriam ser indenizados os seus proprietários. Trabalhadores, moradores e posseiros que delas tiravam seu sustento também receberam algum tipo de indenização para que pudessem continuar suas vidas com, no mínimo, a mesma dignidade que ali tinham. Na sua grande maioria, essa população foi reassentada em áreas rurais como as áreas das Agrovilas do Perímetro Irrigado Icó-Mandantes.

O Perímetro Irrigado Icó-Mandantes é uma das áreas onde a CHESF construiu núcleos habitacionais com ruas e estradas vicinais de acesso, rede elétrica, sistema de abastecimento de água potável e esgoto, casas de alvenaria, escolas, praças, postos de saúde, associação comunitária, igreja, e ainda anexo a esses núcleos, também foram implantadas áreas de produção agrícola com sistemas de irrigação. Tudo foi construído e gerenciado pela própria CHESF que ainda mantém no local, até hoje, centros de apoio tecnológico com vários profissionais da área de Agrimensura, Zootecnia, Agronomia... E ainda, durante vinte anos a mãe CHESF distribuía mensalmente, a cada família reassentada, um auxílio de custo de dois salários mínimos. Tudo isso para que a CHESF pudesse inundar as áreas que antes essas habitavam, e assim produzir energia elétrica que abastece grande parte do território brasileiro. O que até então, pra mim, era um ato de justiça para com esses humildes sertanejos que por ali habitavam a várias gerações.

Quando tomei conhecimento dessa realidade me enchi de orgulho e satisfação a ver que no Brasil existem instituições públicas que funcionam bem e ainda promovem desenvolvimento em locais que normalmente são esquecidos por todos.

Mas como minha missão levaria cerca de seis meses para ser concluída, o tempo e a convivência com essa população me mostraram uma coisa diferente das maravilhas que eu esperava acontecer. Normalmente, eu era surpreendido por pessoas me pedindo para arrumar-lhes trabalho, pois alegavam estar passando por necessidades em suas casas. E realmente havia pela região lares muito humildes, diferente do que eu esperava conhecer pois estava ciente dos benefícios que esse povo recebera em contrapartida por terem cedido suas áreas originais. Mas ainda assim, existiam nas mesmas vilas do mesmo projeto várias famílias prósperas com casas confortáveis, sem muito luxo, mas muito dignas.

Logo, eu percebera que o que havia ocorrido de fato durante os vinte anos que se passaram, desde a entrega das vilas aos seus atuais moradores até os dias atuais, foi que por mais que os benefícios recebidos fossem algo realmente vantajoso para eles, algumas famílias queriam mesmo era o dinheiro. Ora, trabalho em roça é pesado! É pra quem realmente quer trabalhar. E infelizmente, nem todos aqueles eram homens honestos e trabalhadores. E esses nada fizeram em suas propriedades durante os vinte anos que se passaram vivendo apenas dos dois salários que recebiam de auxílio de custo. Enquanto isso, outras famílias trabalharam em suas terras, produziram, e assim prosperaram, pois lá eu vi áreas muito produtivas, havia de tudo: manga, coco, melancia, mandioca, feijão, milho, abóbora, tomate, morango, uva, maracujá e etc. Conversando com alguns proprietários prósperos, impressionei-me em ver como era lucrativa a produção agrícola. Mas o tempo passou, o auxílio financeiro cessou e as famílias que nada produziram agora não têm nada, vestem camisas do movimento dos sem-terra e se juntam a outras pessoas para fazer protestos pela reforma agrária pelo Brasil afora.

Visto tudo isso, concluí que não adianta de nada dar dinheiro, terras e meios para gente que nada quer fazer. Percebi que as pessoas de lá que não prosperaram, nunca prosperarão em lugar nenhum, essas pessoas são a escória da população Brasileira. Por causa delas e de outras pessoas de mesmo nível de honestidade e decência, que ficam por aí fazendo greves, manifestações contra obras públicas que trarão benefícios para o povo brasileiro, na verdade são os culpados por nosso atraso tecnológico, político, econômico e tudo de errado que há nesse país. Abaixo ao MST e toda horda de arruaceiros e políticos que nunca fizeram e nunca farão nada em prol do progresso do Brasil.


Texto de minha autoria e revisado por Mary Angel Stone

5 comentários:

  1. E isso aí Hayude, a maioria desse povo que só faz reenvindicar seus supostos direitos só o querem para vender e ir atraz de mais " direitos "
    To de acordo com você. Abraço

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  2. Concordo com você caro amigo, estive no terreno em sua parceiria, mas infelizmente não pude me aprofundar dos fatos. Contudo, confio em sua grande credibilidade e competência para tecer tais comentários...Assim como você, odeio pessoas que só reclamam e nada fazem, medíocres.

    Vinícius Dias

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  3. Farah... Pessoas oportunistas existem em todos os lugares, há quem diga nestes movimentos dos sem terra. Mas não pensemos também de uma maneira radical, como vc finaliza no texto... O correto e justo é que cada um faça sua parte... Se o estado tirou algo de alguém, o correto é dar algo em troca ou pagar com a mesma moeda... Não pode-se deixar de se fazer o correto pensando somente nesta escoria da população brasileira como vc pondera. Isso infelizmente agente vai encontrar em todas as esferas.

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  4. Nathalie Magalhães2 de setembro de 2009 17:12

    Meu amor! Que orgulho senti de você, agora, viu? Aaahh, gosto tanto de você assim... expondo sua opinião com pensamentos voltados pra assuntos no mínimo intrigantes (gosto mais ainda quando dvocê deixa eu dar minha opinião também? :p kkkkkk)
    Hayud,a maioria das invasões não são corretas mesmo, porém existem reinvidações que são "necessárias",pelo trâmite dessa "justiça", enferrujada e falida. Muitas dessas pessoas eu nem sei se querem solução, acho que querem é uma resolução rápida para um problema que são questões alheias à elas sim, mas que de fato, também envolve a problemática sócio-econômica do país.

    Mas esse debate aí é longoooooooooooooooooooo...
    kkkkkkkkkkkk

    Beijo, e parabéns, gostei!

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  5. Nathalie Magalhães2 de setembro de 2009 17:13

    reinvidicações*

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